Teoria: como o cafezinho na firma atrapalha o crescimento do Brasil


O café é praticamente sinônimo de Brasil. Além da importância histórica, faz parte do dia a dia do brasileiro. Não importa a classe social, lá está ele todos os dias na mesa do café da manhã ou do jantar. O hábito de tomar um cafezinho acontece de diversas formas: no café da manhã, depois do almoço, pra curar ressaca, matar o sono, antes do cigarro, etc. O café é um motor econômico e social. As pessoas se relacionam social e comercialmente em torno da máquina do café. Se já disseram que todo brasileiro é um mestre cervejeiro e técnico de futebol, cada um também tem um pouco de barista.

Mas voltando ao assunto do texto: tenho uma teoria de que o café mais atrapalha do que ajuda, tendo uma grande influência negativa no PIB do Brasil. Sendo bem pessimista e chutando pra baixo, pelo menos metade dos funcionários de uma empresa tem o hábito de tomar aquele cafezinho da firma. Além disso, ninguém que tem esse hábito se contenta só com um cafezinho. Toma pelo menos um quando chega no trabalho, um após o almoço e um à tarde. Cada cafezinho desse consome em média 15 minutos das horas úteis do funcionário, pois envolve dirigir-se até o local onde o café está, bater aquele papinho e depois retornar ao trabalho. São 45 minutos a menos de produtividade. Todo trabalhador precisa de alguns minutos por dia para descansar, mas a grande maioria abusa desse direito.

Entretanto, a velha morcegada em horário de expediente por conta do café nem é o principal pilar dessa teoria. Funcionário abelha (só faz voar e fazer cera) sempre vai existir, havendo café ou não. A mais grave questão é a saúde do funcionário. O excesso de café traz uma enormidade de pequenos problemas de saúde que atrapalham fortemente a produtividade. É comum hoje em dia ouvir pessoas dizendo que não conseguem fazer nada antes de tomar um café. Dou os parabéns, pois assumir o vício é o primeiro passo para a cura. Sim, se você só consegue produzir se consumir uma substância estimulante, é bem provável que você seja viciado em cafeína. E como qualquer outro vício, os sintomas da abstinência não são nada legais. O mais comum é aquela dorzinha de cabeça por conta do stress. Só se for o stress de não ter tomado café. Isso é o seu cérebro lhe dizendo “me dê café, seu fdp”. Por isso a sensação de alívio quando você toma. É a mesma coisa com quem é “viciado” em coca-cola. Seu cérebro e seu estômago vão dar aquele chilique.

É um círculo vicioso. O funcionário só consegue produzir bem tomando café. O excesso de café vai deixar ele estimulado, fazendo com que ele durma tarde ou não durma bem. A falta de descanso fará com que o funcionário chegue em péssimas condições no trabalho de manhã cedo, fazendo com que ele precise daquele mega café matinal pra poder produzir alguma coisa. Entenderam o esquema? Isso sem contar as faltas por motivo de doença. Dores de cabeça, gastrite, fadiga, ansiedade, sonolência… Tudo isso acontece quando você deixa de se abastecer de café. Os sintomas são similares à abstinência de anfetaminas ou cocaína. O negócio é sério.

Considerando que todos os transtornos causados em um funcionário pelo café só lhe permitam produzir em escala aceitável durante 75% de suas horas úteis (o que é bem otimista), a empresa estará perdendo 25% de sua produtividade dessa forma. Imaginem o que seria 25% a mais no PIB brasileiro. A cultura do cafezinho está deixando os trabalhadores doentes e atrapalha a produtividade, não só com horas ociosas no expediente, mas com transtornos fisiológicos e psicológicos decorrentes do excesso do consumo da bebida. E nem adianta usar a desculpa de que não dá pra trabalhar sem café. Tem muita gente que não toma café e faz o seu trabalho bem feito. Além disso, não é motivo nenhum de orgulho depender de uma substância química pra poder exercer normalmente suas atividades. Vício é vício, independente do que a lei diz sobre determinada substância.

Se você se enquadra no grupo que depende de café pra sentir-se bem, feliz e produtivo, hora de rever seus hábitos.

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