O show de horrores do velório de Eduado Campos

Nesse momento, praticamente todo brasileiro sabe quem foi Eduardo Campos. Neto de Miguel Arraes, antigo Coronel Político em Pernambuco, Campos era candidato a presidência do Brasil junto com Marina Silva, essa sim mais conhecida do eleitorado. Morto num desastre aéreo até o momento mal explicado, segundo as pesquisas ele não tinha a menor chance na eleição, mas o momento de comoção por conta de sua inesperada morte vem ganhando contornos patéticos, despertando um certo prazer mórbido por parte de algumas pessoas.

O grande motivo a se lamentar não é a morte do político, que é o que motivou todo esse estardalhaço. Eu lamento profundamente a morte de um pai de família, que deixa esposa e cinco filhos, entre eles um bebê com síndrome de down. Além disso, Eduardo Campos era filho, neto, sobrinho, amigo, irmão… Enfim, isso sim é lamentável. Políticos vem e vão em profusão no Brasil, certamente ele será substituído rapidamente. Já se fala em sua esposa como candidata a vice, o que é absurdo considerando sua inexistente experiência política, bem como assumir a candidatura ao pleito apenas por ser a viúva.

O cortejo, velório e enterro teve ares de micareta. Dezenas de milhares de pessoas acompanhando em carros, a pé, fazendo reverência e entoando até mesmo gritos de guerra como “Eduardo, guerreiro, do povo brasileiro” capitaneados até mesmo por seus filhos mais velhos. Foi dito também que “Pernambuco está de luto” e outros ufanismos típicos da política brasileira. Tivemos até mesmo Lula, que anda tão escondido visto a quantidade de escândalos que apareceram recentemente, chorando lágrimas de crocodilo abraçando a família.

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Além da politicagem envolvida, os próprios fiéis (chamo de fiéis porque Eduardo Campos foi praticamente beatificado assim que morreu) fizeram a sua parte em tornar a cobertura do evento (a morte transformou-se num evento) extremamente desagradável. O ápice do baixo nível foram as “selfies” tiradas em frente ao caixão. Uma excelente forma de demonstrar pesar e luto pelo falecido, afinal nada é mais importante que alguns likes no instagram num momento de suposta comoção.

A TV passou o dia inteiro cobrindo o velório, que teve diversos shows de músicos e artistas locais prestando “homenagem”. Um espetáculo de tirar a fome de qualquer um com um pouco de bom senso. Houve até mesmo pesquisa de “boca de túmulo”, analisando o cenário político antes mesmo do corpo de Eduardo Campos ter sido sequer reconhecido.

Gostaria de lamentar apenas a morte do cidadão Eduardo Campos, mas acabo lamentando profundamente o show de horrores criado em torno do acontecido. Fotos de corpos se espalhando por celulares, selfies de frente para o caixão e pouco ou nenhum respeito pela memória do então candidato a presidência.

Tempos estranhos, esses em que vivemos.

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