O Facebook tá chato. Mas não tanto quanto você.

Uma reclamação constante em redes sociais, sejam lá quais forem tais redes é sobre a qualidade da mesma. Basicamente, é como você ir a um restaurante e começar a gritar que o local é uma porcaria. Porém, assim como você escolhe em que restaurante quer deixar os últimos caraminguás do seu Visa Vale, você, pasmem, também escolhe quais redes sociais deseja frequentar e mais incrível, com quais pessoas deseja se relacionar virtualmente. É assim que uma rede social funciona, o usuário tem total liberdade sobre o conteúdo que vai oferecer e sobre o conteúdo que vai consumir.

Dizer que “O face tá uma merda” é extrapolar para todo o universo do Facebook uma característica inerente apenas ao seu perfil do Facebook. Afinal de contas, o conteúdo exibido em sua timeline é oriundo das páginas que você curtiu e das pessoas que você adicionou. Se o Facebook está chato, é porque você só conhece gente chata e porque você mesmo é um chato.

As redes sociais são o puro reflexo das pessoas fora delas. Do mesmo jeito que hoje o Facebook está chato, você já foi em bares chatos, em festas chatas, na casa de um chato, já recebeu gente chata em casa e possivelmente acha o seu próprio emprego chato. As redes sociais não vieram pra consertar o comportamento humano. Pelo contrário, depois delas certas características questionáveis das pessoas ganharam não só um um incentivo, como num palco virtual, como agora estão disponíveis pra quem quiser ver e curtir. Se o seu Facebook está uma merda, é puro reflexo do seu sistema de seleção de amizades. Você só adiciona ali quem quer. Se você coleciona amigos como quem coleciona figurinhas, é de se esperar que esse tipo de coisa aconteça.

Fora da Internet, as pessoas não tem o hábito de deixar qualquer um entrar em suas casas. As portas são trancadas, você só recebe conhecidos, detesta que mexam em suas coisas, etc. Ninguém entra na sua casa sem bater, mexe em seus álbuns de fotos pra dar uma curtida ou lhe obriga a falar suas intimidades. Com redes sociais deveria ser a mesma coisa, mas as pessoas sentem uma necessidade incrível de se mostrar, aparecer, divulgar o que estão fazendo, pra onde estão indo seja lá pra quem for, contanto que a informação atinja o maior número de pessoas. E depois ainda reclamam de privacidade. Como aquele seu amigo que tá super atrasado ou atolado de trabalho e arranja tempo pra dar uma tuitada dizendo “putz, tô cheio de trabalho” ou “meu deus, estou atrasado!”.

As pessoas são sem noção, são grossas, mal-educadas, ou são gentis, reservadas e tímidas. Nas redes sociais isso não muda. Algumas de fato ficam mais soltas, outras na verdade acabam ficando mais introspectivas, mas no fundo são pessoas por trás do avatar e isso não vai mudar, a não ser que se crie uma rede social onde só entram bots. Uma rede social como o Facebook não cria um mundo novo. As redes sociais apenas digitalizaram os comportamentos, mas na essência eles ainda são os mesmos.

Portanto, reclamar da chatice do Facebook ou da falta de noção das pessoas no Twitter nada mais é do que você pensando alto sobre como sua própria vida anda meia boca. Que tal excluir todos esses desconhecidos e passar a interagir de verdade com quem você gosta, conhece e se preocupa? Sendo mais gentil, dando mais bons-dias, querendo realmente saber como as pessoas estão ao invés de meramente dar like num post dizendo “estou bem”. Que tal parar de seguir gente por educação ou por favor e dar uns unfollows de vez em quando e seguir gente nova? O unfollow é o grito de liberdade da timeline oprimida. Como você espera ter controle de sua vida se você não consegue sequer ter controle sobre algo simples como um perfil numa rede social?

Então pare de reclamar e faça um favor a você mesmo: pare de gostar de pessoas e coisas chatas e seja você mesmo um pouco menos chato.

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