Crítica | Guardiões da Galáxia Vol. 2 (Com Spoilers)

Guardiões da Galáxia Vol. 2

É possível dizer que Guardiões da Galáxia foi um risco ousado e calculado pela Marvel. Ao ser apresentado, foi recebido com muita descrença e até mesmo uma pitada de desdenho, mas esse mesmo público saiu do cinema com a grata surpresa de ter visto um filme sensacional. Um roteiro interessante, divertido, com personagens cativantes e uma trilha sonora viciante. E então veio o Vol. 2. Toda sequência carrega o peso de ter que entregar pelo menos algo no mesmo nível do primeiro filme, caso contrário não teria motivos para existir, seria um desserviço ao filme anterior e ganharia o “selo caça-níquel” dos fãs. Mas Guardiões da Galáxia Vol. 2 passa longe disso.

A continuação utiliza muito bem o tempo e espaço para desenvolver um pouco mais os personagens que tanto agradaram no primeiro filme e aprofundar a relação entre eles. O tema família está enraizado na trama e isso fica evidente em diversos momentos. Há uma relação paternal conflituosa entre Peter Quill (Chris Pratt) e o vilão Ego (Kurt Russell). Uma convivência desarmônica entre as irmãs Gamora (Zoe Saldana) e Nebulosa (Karen Gillan) por conta do pai (Thanos). Drax (Dave Bautista) dá uma trégua no seu jeito sisudo e aparece bem mais sorridente, se aproxima de Mantis (Pom Klementieff) e apesar de toda sua ironia e pouquíssimo tato, acaba se tornando no mínimo um irmão mais velho. Yondu (Michael Rooker) assume um forte lado paterno quando diz a Peter Quill, se referindo a Ego: “He may have been your father, boy, but he wasn’t your daddy.”. Rocket (Bradley Cooper) continua pagando de insensível e às vezes agindo como se não se importasse com nada, mas em alguns momentos é possível ver o tamanho do seu coração e a imensa importância que cada um tem pra ele. E juntos, todos cuidam do -nosso amado- Baby Groot. Mesmo que no fim ele tenha se tornado um adolescente que tem o quarto virado de cabeça para baixo, não está disposto a arrumar nada e só quer ser deixado em paz com o seu videogame.

A trilha sonora foi composta por Tyler Bates, que retomou a sua parceria com o roteirista e diretor, James Gunn. Assim como no primeiro filme, as músicas têm um papel primordial no longa como se fosse um outro personagem, dá pra dizer que assume o papel da mãe, já que o walkman e a fita são as únicas formas de lembrança que Peter Quill tem da sua mãe. A trilha continua maravilhosa, empolgante e se encaixa perfeitamente nos momentos da história. Destaque para The Chain (Fleetwood Mac), Wham Bam Shang-A-Lang (Sliver) e Father and Son (Cat Stevens).

O filme não é perfeito, há algumas falhas, como a briga muito longa entre as irmãs Gamora e Nebulosa. Todos os personagens apresentam seu conflito, com elas não foi diferente, mas dava pra ter dado uma reduzida. Por outro lado, Kurt Russell teve uma atuação fantástica, arrisco dizer que pela primeira vez a Marvel teve um vilão crível, que deixa claro seu objetivo e como será difícil derrotar um ser tão poderoso, foi realmente um vilão de respeito. James Gunn mostrou que domina bem as possibilidades desse universo cósmico, o quanto pode agregar ao MCU mesmo sem fazer grandes conexões que vão levar à Guerra Infinita, apenas o suficiente para gerar uma boa expectativa em relação ao encontro dessa família com o time dos Vingadores. Também mostra que é possível mergulhar na história e personalidade dos personagens sem fazer com que isso pese no filme, mesmo nas cenas mais dramáticas ou em algum conflito. As cores, as piadas, a relação entre os personagens, a diversão, tudo está interligado, faz sentido e não cruza a linha tênue entre o humor e a galhofa. Guardiões da Galáxia Vol 2 diverte, emociona e funciona.

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