Você não precisa amar o que faz para fazer bem feito.

Eu sempre fui contra a corrente que os gurus de carreira pregam de uns anos pra cá de que você tem que “encontrar sua paixão”, “fazer o que ama”, etc. Sempre achei que você deve fazer o seu trabalho bem feito, independente de gostar ou não. Condicionar um trabalho bem feito a supostamente gostar daquilo que faz é muito bonito na teoria, mas pouco prático no mundo real.

A grande, imensa maioria dos trabalhos disponíveis no mercado são maçantes, repetitivos, chatos. Mas pagam um salário, as vezes bom, as vezes ruim. O fato é que poucos tem a oportunidade de trabalhar com algo que “amam”, de maneira que já começam a fazer o que devem com uma certa simpatia pelo serviço.

Fazer o que ama é uma mentira contada por empresas e “especialistas” para manter você preso numa ilusão de que só com muito esforço, você poderá um dia conquistar o que tanto sonha. É um cativeiro intelectual que lhe dará a falsa impressão de que ser bem sucedido fazendo o que ama é um Olimpo que poucos escolhidos tem condições de alcançar. Na maioria das vezes, essas próprias pessoas que dizem essas coisas estão longe de chegar ao ápice da carreira ou do sucesso, ou mesmo fazem o que amam. Elas fingem acreditar no que dizem ou interpretam muito bem o papel que lhes foi dado.

É muito melhor para o mercado um excelente advogado que odeia o que faz, mas o faz bem feito, do que um médico que ama abrir as pessoas mas é horrível no que faz. As suas chances de sucesso profissional são muito maiores se você fizer bem feito o que lhe é exigido. E amar o que faz não lhe dará nenhuma vantagem competitiva sobre uma pessoa que faz o mesmo que você, detesta, mas faz melhor.

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Há ainda diversos tipos de trabalhos que envolvem tarefas pouco ou nada agradáveis como lavar banheiros, desentupir esgotos, catar lixo, subir em postes, etc. Mas esses trabalhos precisam ser feitos. Você quer fazer o que ama, mas também quer usar um banheiro limpo e cheiroso. Você quer fazer o que ama, mas quer eletricidade, quer ruas limpas e sem lixo. E você não é melhor do que quem faz esses trabalhos desagradáveis.

Muita gente discordava ou discorda de mim, quando falo isso. Fazer o que ama muitas vezes é como colocar a sua música favorita como despertador no celular. Em pouco tempo você estará odiando algo que amava. Com o trabalho é a mesma coisa, se você condiciona fazer bem feito a sentir prazer no que faz. Essa pesquisa comprova o que eu digo e mostra que pouco ou nada tem a ver fazer o que gosta com a qualidade do serviço feito ou com sucesso na carreira.

Lembre-se: o trabalho é um meio, não um fim. As coisas e o dinheiro que você conquista no trabalho servem para você gastar tempo e usufruir de suas verdadeiras paixões no que realmente importa. Viajando para conhecer o mundo, comendo bem, passando tempo com sua família, ajudando outras pessoas, etc. A não ser que você prefira passar 8 horas do seu dia manipulando planilhas ao invés de fazer tudo isso.

O verdadeiro fim não é o que você faz no seu trabalho, é como você aproveita o que o seu trabalho, gostando dele ou não, proporciona pra você fora dele.

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