Universo Nerd

O relacionamento inter-espécies: guia de sobrevivência.

Se parte de nossos leitores vê minha coluna como uma coluna de humor a outra me vê como um mestre Yoda do mundo nerd. Bem humorada minha coluna é, mas a verdade ela fala. Antes que algum de vocês espere me ver dizer algo como “there is no spoon” eu devo dizer que não me cabe o título de Oráculo dos novos tempos ou Pai Mei dos Bits. Contudo aceito a honra de ser porta-voz desses que um dia foram perseguidos, achincalhados, alvos de cuecões e pescotapas… mas que hoje são a última coca-cola do deserto!

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Hum... tá, não precisa de biquine dourado não.

Bem, descrentes e discípulos – hum, posso vir a gostar dessa história, que tal seguirmos a linha de raciocínio das colunas anteriores onde definimos os nerds e discutimos sobre sua condição de novo macho alfa? Se já não somos estranhos e somos poderosos lideres ricos, ou ao menos estamos nesse caminho, é natural que comecemos a ficar com as gatinhas. Pois é, Biffs Tannens, vocês já eram.

O problema é que nem tudo são flores. Se os nerds começaram a pegar as melhores mulheres agora é natural que eles tenham alguns, como diria, problemas de adaptação. Não é fácil você sair de homéricas bronhas via mirc para lindas meninas de carne e osso. Existe um processo de adaptação perfeitamente natural. Se a mulher é um mistério para um profundo conhecedor como eu imagine para um padawan das periguetes. Mas pra tudo tem jeito, jovem gafanhoto, pra tudo tem jeito.

 

yoda
Gnomo?! Colonoscopia com sabre de luz experimentar você vai!

Digamos, meu querido leitor, que você não deu a sorte de pegar UMA nerd, você fraquejou diante daquele belo sorriso e todas outras qualidades e resolveu que ela merece sua companhia, que talvez com algum estresse emocional ou físico (que você está caridosamente disposto a proporcionar) seus poderes mutantes lado nerd desperte. As chances de isso acontecer são tão pequenas quanto a do PS3 um dia bater o Xbox 360 (polêmica é meu nome do meio). Mas, caro Eden, o que fazer então? Vou me tornar um ser com preconceito de QI? Claro que não. Mulher é mulher, caros amigos, e toda ela merece carinho, atenção, a companhia divertida, sexo intenso e orgasmos fodásticos que só um nerd pode proporcionar. Mesmo que ela não entenda o que é o efeito Doppler.

O jeito, jovens gafanhotos, é tornar-se uma mistura de MacGyver, Yoda e Professor Xavier. Tem que se virar com que tem em mãos (e não com a mão, isso já não lhe pertence mais), ter fé na força e saber lidar com “pessoas diferentes”. Tendo em mente que você vai ter quase tanto trabalho quanto prazer esteja pronto pra exercitar sua paciência. Mas tudo valerá a pena, afinal falamos de amor e amor é como divisão por zero… Não pode ser definido.

Contudo esteja certo de que em alguns momentos o desafio será quase insuportável. Aprender a meditar pode ajudar a evitar um crime quando ela disser que “o grandalhão de preto, com o pinico na cabeça sofre de asma”, que “O gnomo verdinho fala engraçado”, que “Leonard Nimoy é um ator de um só papel” ou que em Blade Runner “O loiro bonitão não devia ter morrido no final”. Você vai precisar de força (ou DA força, como preferir) para aguentar ela chamando seus action figures de “bonequinhos” e suas graphic novels de “revistinhas”. Vai ter que se controlar de verdade quando ela disse que “A turma da Monica é muito mais divertida que esse tal de Cavaleiro das Trevas”.

Desafiador, hein? Mas não para por aí. E quando ela chamar seu blog de “diário na internet”, disser que Twitter é “coisa de quem não tem nada pra dizer” e que saber fazer escova no cabelo é mais útil que “entender Java ou HTML”. E, garanto, você vai pesar seriamente em desistir quando ela disser que seu Xbox é legal “porque roda DVD” e que jogar videogame “é coisa de quem não ama, pois você poderia estar passando mais tempo comigo”. RPG? Nem pensar. Poemas em Klingon? Indecifráveis. Séries Nerd? Novela das oito e BBB.

Mas, acredite ou não, todo este esforço pode valer a pena. Na melhor das hipóteses você a ajudou a, ao menos por osmose (só eu que vejo duplo sentido aqui?), se tornar uma pessoa melhor. Deu carinho, atenção, cultura e conhecimento em troca de sexo incansável, avassalador e animal. Venhamos e convenhamos, uma troca nada justa, ela saiu claramente ganhando. Na pior das hipóteses você tem de admitir que ela é muito melhor que a “gatinha_fogosa_23” do mirc, que na verdade se chamava Paulão.

Para aquelas que acharam o texto machista digo mais uma vez que as meninas Nerds não passam por NADA disso. Enquanto nós, homens, estamos indo para 1955 elas já estão voltando para 2015.

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