Universo Nerd

Os Nerds são os novos machos-alfa

Na coluna passada definimos o que é um nerd, quer dizer, eu acabei com a definição de nerd de muita gente, e provei que estamos mergulhando numa “era nerd” por assim dizer. Comportamentos antes julgados exclusivos dos nerds, quando o termo ainda era pejorativo, estão tão arraigados em nossa sociedade que não podem mais ser extraídos sem danos. Vocês conseguem imaginar o mundo sem internet? E sem mp3? Que tal se livrar de seus brinquedinhos eletrônicos?

Mas as mudanças não param. Observem como anteriormente o cinema mostrava os nerds como personagens secundários, sempre os sidekicks dos heróis, aqueles que o ajudam a mexer com a tecnologia que os heróis não entendem – afinal estão ocupados demais pegando as garotas e mandando bala nos vilões, ou simplesmente são personagens de comédias como A Vingança dos Nerds, Namorada de Aluguel (onde apesar de estranhos os Nerds terminavam se dando bem). Eram raros os filmes como Jogos de Guerra, Academia de Gênios ou O último guerreiro das estrelas  onde o nerd era o mocinho e até ficava com a gatinha. Isso era reflexo sociológico que está chegando ao fim. Se antes os nerds terminavam sozinhos em seus papeis secundários hoje são os mocinhos… e são pegadores!

A coluna de hoje visa eliminar de vez, a golpes de sabre de luz, esse conceito antigo de que nerds não pegam ninguém (e nem vou apelar usando Bem Affleck como exemplo de nerd pegador). Vamos nos aventurar por uma maluca, porém lógica, teoria sociológica escrutinando a maior mudança cultural/xavecológica acontecida nos últimos tempos: NERDS SÃO O MACHO ALFA DO NOVO SÉCULO.

Isso, isso, podem conter as palmas por alguns segundos, jovens padawans. Sei que é motivo de euforia alguém sair em defesa de sua capacidade e direito inexorável de pegar uma mulher com seios, sem bigode e óculos fundo de garrafa sem ter que pagar por isso, mas ainda tenho um ponto de vista para provar. E eu vou! – Agora podem aplaudir e gritar novamente.

O macho alfa no decorrer da história.

A história nos prova que o macho alfa sempre foi aquele que podia melhor prover ou defender os seus filhos, companheira ou grupo. Entre os animais eles podem ser aqueles que constroem a melhor casa, o mais eficiente na caça, aquele capaz de vencer todos os adversários ou simplesmente aquele com um detalhe físico de maior destaque – bom, olhando bem não é muito diferente da raça humana, não é mesmo?

“Eu sou lindo. Mamãe e todas as outras mulheres da tribo acham!”
“Eu sou lindo. Mamãe e todas as outras mulheres da tribo acham!”

De fato, nos primórdios, quando nossos ancestrais ainda tinham o vocabulário limitado a grunhidos, faziam sucesso junto as suas fêmeas pela capacidade de provê-la em tempos difíceis. Força bruta, agilidade, capacidade de caça eram fundamentais para sobreviver em tempos inóspitos, o que fazia com que os “grandalhões” fizessem sucesso. O fato de serem fedidos e cabeludos não fazia diferença, afinal as mulheres também não eram nenhuma maravilha. Se relacionar com um desses trogloditas garantia não só teto e comida, como filhos capazes de sobreviver. Para selecionar o melhor homem era fácil. Procure o mais bruto, mais cheio de troféus, cicatrizes, temido, adorado. Era um processo analítico razoavelmente simples. Durante um bom tempo essa capacidade de sobreviver de forma autosuficiente definiu quem era o melhor par. 

Com o passar do tempo o homem passou a não depender apenas de si mesmo para sobreviver. Ser grande, forte e feio já não eram suficientes para garantir sua sobrevivência. O homem passou a precisar de poder e dinheiro. O melhor par passou a ser aquele que tivesse condição de dar um sustento digno a sua esposa e filhos. A mulher passou a procurar em seus parceiros indícios de capacidade de prover uma boa vida não apenas em seu aspecto e suas capacidades físicas, mas também na sua capacidade obtenção e manutenção de bens, no seu destaque entre os seus (que nem sempre se impunha à força) e influência no meio que viviam. O homem forte e com cara de mau já não era o alvo primário. Ser gordo representava fisicamente a vida farta e, assim, mostrava que aquele homem era um bom partido. Isso, inclusive, criou um novo modelo de beleza, até mesmo feminina, durante a idade média. Tempos estranhos que, graças a Deus, não voltam mais (espero).

Hoje o  tão procurado homem capaz de garantir uma boa vida aos seus – o que é atávico por mais que as mulheres neguem – já não está exatamente tão a vista. Se antes a expectativa de vida era curta – o que fazia com que aos 20 anos de idade um homem já tivesse de ter certo destaque, beneficiando claramente os bem nascidos – e as mulheres casavam cedo – havia pressa na escolha, hoje as coisas são diferentes. Hoje alguém que não nasceu em berço de ouro pode chegar a fortuna e glória com muito mais facilidade do que  acontecia em nosso passado não tão remoto. Hoje já não é tão simples olhar para alguém e, sem ao menos conhecê-lo, julgá-lo um sucesso no futuro.

O macho alfa na atualidade.

Certo, certo, Eden, e onde entramos nós, os nerds? Ah, pequeno gafanhoto, eu o responderia com uma clássica citação cinematográfica “construa e ela(e)s virão”. Não estou falando de uma casa fantástica com vários quartos e piscinas – se bem que acho que isso também funcionará, mas sim dos meios para ter essa casa. Uma coisa não mudou com o passar do tempo: o sucesso e o poder fazem o macho-alfa. E o que você acha que atualmente define a capacidade de obter sucesso ou poder (não me venham com “falta de ética”, sei que isso ajuda mas estamos falando de legalidade) Eu respondo – se bem que sei que vocês já sacaram: CONHECIMENTO! Ou seja, estude, pesquise, invista naquilo que gosta e se torne o melhor no que faz. E quem faz isso melhor que nós?

chuck
E aí, Chuck, qual o segredo de ser Nerd e pegar uma gata?

Sim, vivas, vivas. Claro que já perceberam o meu raciocínio. Uma  frase atribuída a um dos nerds mais famosos do mundo, Bill Gates, define bem isso “Trate bem o nerd na escola. Ele pode vir a ser seu chefe no futuro”. PODER, amigos, PODER – aposto que estão com vontade de soltar uma risada maligna, hein? Vamos lá, todos juntos:  Bwahahahahahahaha!!! Se você é um chauvinista e acha que mulher gosta mesmo é de dinheiro e carrões, beleza, o sucesso lhe permitirá comprovar – ou não – suas teorias.

É claro que ainda hoje a capacidade nerd de pegar mulher em boate não é lá estas coisas. Fica complicado de provar que se é inteligente e intelectualmente interessante quando precisamos dizer nossos nomes aos gritos. Mais ainda quando por saber que não vai lhe ouvir a menina não lhe dá a menor bola e não tira os olhos do saradão de camisa apertadinha que rebola ali ao lado – e que muitas vezes é quinta-feira. Como assim quinta-feira? Vire a palma da mão para cima, conte os dias da semana começando no mindinho, tocando-o com o polegar naquele clássico gesto de quem usa dos dedos pra contar e pare quando chegar em quinta. Sacou ou vou ter que desenhar?

Mas todos sabem que o MSN de um nerd é como a fita de “O chamado”. Adicionou o alvo, depois de sete dias, creu! A oportunidade de conversar faz toda diferença. Não vou perder meu tempo defendendo algo óbvio como a inteligência ser charmosa e interessante. Não preciso, não é mesmo?

Inteligência ajuda mas é sempre bom contar com a genética.
Inteligência ajuda mas é sempre bom contar com a genética.

Todos sabem que até agora apenas me diverti dissertando sobre um ponto de vista meu, sem nenhuma base cientifica, apesar de, como já disse, bem lógico. Agora, falando sério, tanto homens quanto mulheres hoje procuram mesclar inteligência e beleza (não sejamos hipócritas) na busca de seu par. Nada pior que dividir sua vida com alguém com quem você não tem assunto ou diálogo, com alguém que não tem capacidade de acrescentar mais nada a você ou a sua vida. E, como defendi na coluna anterior, a definição de um nerd passa basicamente por isso: uma pessoa com uma inteligência ou conhecimento especifico acima da média. Então, caros recém descobertos Don Juans, o negócio é afiar o cérebro sem esquecer de cuidar do visual (se você tiver um NOBEL e parecer um estereotipo dos nerds dos filmes dos anos oitenta certamente não vai fazer muito sucesso). E lembrem, usem sua capacidade “xavecadora” com cuidado, pois grandes poderes trazem grandes responsabilidades!

E, para quem acha que fui um tanto machista neste texto, bom, deixe que me defenda. Não preciso escrever nada disso para uma mulher nerd, ela não precisa de ajuda para descobrir que na verdade ELAS que mandam no mundo, afinal são muito mais inteligentes que nós, que vivemos buscando realização apenas para conquistá-las. E como isso vale a pena, hein?

Vida longa e próspera.

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