Train: o holocausto na prática

Sobre ensinar e aprender: ensinar é uma arte. E como arte, nem se aprende, nem se ensina. Eu acredito que até se possam estudar técnicas e métodos para lecionar ou repassar conteúdo, mas pela imensa quantidade de professores que tive até hoje, percebi que os que mais me marcaram ou que conseguiram fazer com que eu aprendesse algo, foram os que demonstravam talento nato para a coisa.

Sobre jogos: eles podem ensinar muitas coisas a crianças e jovens. E não falo só de jogos eletrônicos, falo também dos jogos que joguei quando eu era criança, como banco imobiliário, jogo da vida, imagem & ação, etc. O comportamento destrutivo advém de idiossincrasias imperceptíveis a olho nu. Jogos sozinhos não são responsáveis pelo comportamento agressivo de ninguém.

Após refletir sobre esses dois pontos de vista, cheguei a conclusão de que por melhor que seja a intenção, ensinar pessoas que levar judeus ao forno é errado com um jogo que reproduz os dramas do holocausto apenas para a moral da história ser ‘ninguém ganha nesse jogo’ é um belo tiro pela culatra. Acreditem, o jogo existe , chama-se ‘Train’ e foi apresentado na Games for Change Festival, criado por Brenda Brathwaite.

train

Cada jogador carrega um vagão que possui pequenos peões que representam pessoas. Em linha reta, as pessoas devem mover o vagão do ponto A para o ponto B. A medida que o jogo se desenvolve, os jogadores puxam cartas que os fazem mover o vagão, retroceder ou libertar pessoas. Quando o trem chega ao final, o destino é revelado: Auschwitz.

Seria essa a melhor forma de ensinar que o Holocausto foi nocivo para a humanidade? Eu acho que não. O ideal do festival é ótimo, mas esse joguinho dá um belo passo para trás.

Veja a entrevista com a criadora do jogo:

Via: O Velho

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