Trabalhar com Suporte: que cosa triste!

Outro dia fiz uma pequena enquete no Twitter perguntando quantos dos meus 24 mil (ui!) seguidores trabalhavam com suporte. São algumas dezenas, pelo menos que responderam a pergunta, mas certamente há bem mais. Pra quem não sabe, esse blog pobre mas limpinho começou como um local para compartilhar dicas rápidas de informática que permitissem que qualquer usuário pudesse realizar tarefas simples como configurar um teclado sem precisar da ajuda de um especialista. Mudei de foco pois eu não tenho muito foco e fiquei com preguiça de ensinar as coisas, postando 1000 screenshots, etc. Hoje o blog é muito mais voltado pro público nerd.

Mas como sou um cara bonzinho, fiz a pergunta em questão pois como todo mundo sabe, trabalhar com suporte a usuários é algo que exige bolas de aço. Acredito que nem o Chuck Norris seria capaz. Em TI, Suporte a Usuários corresponde a um grupo de vegetarianos. São motivo de piada entre os outros. Normalmente a área paga os piores salários, são as pessoas que mais trabalham, aguentam usuário enchendo o saco e só servem pra tomar porrada. É por isso que eu digo: saiam dessa área quando puderem. Vou explicar.

No meu ponto de vista, poucos mercados são tão dinâmicos quanto a área de TI. São diversas profissões dentro da mesma, nascendo e morrendo em questão de alguns meses. Isso permite que quem vai trabalhar na área tenha dezenas de opções quanto ao que fazer com o seu futuro. Mas dentre todas as áreas existentes em TI, Suporte ao Usuário é a que possui (em tese, ou na cabeça de quem contrata) a menor skill média necessária para atuação. Por que isso ocorre? Bem, na humilde opinião deste blogueiro, quando a tecnologia dos computadores começou a invadir as empresas, mais ou menos uns 15 anos atrás, havia poucos profissionais na área e muita gente era contratada na base da indicação. Eu sou um autêntico micreiro dos anos 1980 e 1990, pessoas que sabiam jumpear processadores e HDs, que sabiam extrair KBs extras de memória física através de linhas de comando e montavam as próprias máquinas. Dessa forma, pouca gente tinha formação na área e os técnicos de CPD e suporte eram curiosos e autodidatas. Por mais que existam centenas de cursos de Ciências da Computação e Sistemas de Informação hoje no país, a área de suporte é aquele pedacinho da TI que as empresas só mantém por obrigação.

Muitas pequenas e médias empresas hesitam durante anos até colocarem uma pessoa fixa para tomar conta da infraestrutura e dar suporte aos usuários. E quando o fazem colocam o sobrinho, do tio, do primo, do irmão, do colega, do porteiro, do vigia que conhecia um rapaz que “mexe com computador”. Aliás, poucas coisas ofendem mais um analista de suporte do que “mexe com computador”. Dessa forma, o técnico de suporte é visto como um rapaz jovem, com pouco conhecimento técnico, sem formação superior, enrolado, etc. Porque é fato, existem MILHARES de picaretas que não entendem nada do assunto dando suporte por aí. E por isso toda a classe paga o pato.

Meu conselho para quem trampa com suporte: use isso como uma área de entrada no mercado de TI. A melhor forma de crescer e aprender ainda é a faculdade, mesclada com certificações na área técnica. Eu, 10 anos atrás dava suporte a usuários e resolvi me mexer, pois as chances de crescimento são mínimas. Tirei algumas certificações da Microsoft e busquei migrar para a área de governança de TI, me especializando em ITIL, para fazer gestão de processo e equipes de suporte. Meu pensamento foi “se não saio da área, ao menos serei chefe deles”. E consegui meu objetivo. Isso significou salários maiores, responsabilidade, a chance de mostrar meu potencial e novas oportunidades.

Se você se contenta com pouco e tem a paciência de um monge budista, continue dando suporte a usuários. Mas se você espera algo melhor pra sua vida, essa não é uma área pra fazer carreira, exceto se você estiver em grandes empresas de TI, consultorias e fazendo o trabalho de analista com grande conhecimento, como montando redes e infra Microsoft (servidores, bancos de dados, etc), servidores e firewalls em Linux, etc. Meus conselhos finais são:

– Faça faculdade, sem ela você SEQUER vai concorrer às melhores vagas na área, a exclusão é feita logo pelo curso superior;

– Tire certificações, querendo ou não elas são um indicativo ao mercado de que você é especialista em determinadas ferramentas. Entre as certificações que eu recomendo estão pelo menos MCSA, ITIL, Cobit, LPI (não sei se ainda é essa a do Linux) e CISCO (essa sim paga bem pra cacete);

– Estude MUITO sobre sua área de atuação, não seja acomodado e sempre que houver um trabalho que ninguém quer pegar, faça a tarefa bem feita e mostre serviço;

– Busque se envolver com processos gerenciais, gestão de TI e governança. A área paga muito bem e seus conhecimentos técnicos serão fundamentais;

Se quiser, deixe suas experiências e opiniões aí nos comentários que iremos trocando idéias. O texto seria muito maior, mas ficaria cansativo.

Veja também

<>

Comentários

Topo