O novo desenho dos Thundercats estréia no Cartoon Network dos EUA trazendo mudanças radicais em personagens e história, mas sem perder o gostinho de reencontro com Lion-O, Tygra e companhia.

Na década passada, houve uma séria revisita aos anos 80: artistas, filmes, series e até produtos que marcaram a época voltaram a fazer a cabeça do pessoal que foi criança ou adolescente nesse tempo, isso sem falar na explosão de festas Ploc e da volta de figuras como Rosana e Biafra, que foram sucessos estrondos à epoca. Chegado 2011, quando se pensou que o hype tinha acabado, um último reboot da época veio arrebatar novos e velhos fãs: Thundercats foi um sucesso de época entre as animações baseadas no clima espada & magia lançado pelo sucesso de Conan, o Bárbaro nas telas de cinema em 1978 , que também encontrou eco em He-man e Visionários: Os Cavaleiros da Luz Mágica, todos revisitavam os temas das batalhas antigas envolvendo elementos contemporâneos de tecnologia e aparência. Thundercats foi um dos que mais se firmaram na memória do público, talvez por sua característica única: tanto os protagonistas como os vilões eram meio bichos. Os thundercats, como o próprio nome sugere eram gatos e em como todo bom desenho da época, cada personagem tinha características próprias: o líder, o forte, o ágil, a veloz e assim por diante. O que há de mais interessante nessa nova versão dos nossos gatos preferidos é que os fãs mais arraigados a versões originais que são resistentes a reboots precisam admitir que tanto o enredo quanto a arte do desenho estão excelentes, superando até o original!

Não venho aqui desmerecer jamais a série da Rankin/Bass, o primeiro mérito a reconhecer do desenho é ter lançado o próprio conceito dos Thundercats, oras. No mais, a estética das personagens, indumentária, e efeitos especiais estavam mais do que apropriados para a época, eram uma espécie de mistura de roupa de ginástica com algo que poderia ter sido tirado do já mencionado Conan, ou de Robin Hood (como também era o caso de Dungeons and Dragons, o nosso querido Caverna do Dragão), mesmo com uma narrativa meio furada, o fato é que as personagens sempre mostraram a que vinham com suas técnicas especiais e características visuais marcantes (aliás, a Cheetara tinha caracaterísticas maravilhosas! A da animação original há que se admitir que manda muuuuuuuito mais do que a atual) e efeitos especiais incríveis (ainda mais se considerada a época, porque hoje em dia ainda são de tirar o fôlego).

Bem, mas o que finalmente tem de bom nessa nova versão, se o desenho dos anos 80 é a última coca-cola do deserto e ainda ficou com a gostosa mais gostosa, o leitor pode perguntar. E não é difícil responder, podemos enumerar alguns itens com facilidade:

- Desenvolvimento mais consistente: alguns podem dizer que num desenho infantil consistência importa pouco, MAS o fato é que você pode manter o interesse de crianças E adultos com uma trama bem amarrada. Na história original, os Thundercats passaram uma década viajando numa nave espacial para o Terceiro Mundo (onde seria?…) para escapar à destruição de Thundera. Lion-O apesar da pouca idade precisava liderar seu grupo para se estabelecer nesse lugar novo (se fosse numa ilha…). Até aí tá tudo ótimo, a não ser porque no decorrer do desenho as coisas vão tomando um ar surreal demais, a Espada Justiceira, de símbolo do poder real de Thundera e fonte da magia dos Thundercats passa a fazer serviço de transporte e até briga sozinha em um dos episódios! Munn-ra sempre se revela nas horas mais inconvenientes possíveis e estraga os próprios planos (que por sinal eram tão babacas que chegavam a ser cômicos) e a história prossegue sem ir muito para trás ou para frente por sabe deus quantos episódios com Munn-ra acordando todo dia de manhã na maior disposição para levar mais uma surra. No Thundercats 2011 (como está sendo chamado para diferenciar) Lion-O e seu grupo não viajaram para o Terceiro Mundo, Thundera É no terceiro mundo. A mitologia ainda é construída em cima de um grande “naufrágio” espacial, mas envolvia muito mais do que apenas Munn-ra e os Thundercats, todos os bichos (por bichos entenda-se todos os bichos que se parecem gente) estavam presentes e povoaram o terceiro mundo, só isso amplia as relações do desenho e mostra a importância de Lion-o ter saído de seu reino para entrar em contato com esses outros povos. A narrativa do desenho é construída em cima de uma história principal que é a retomada de Thundera (Munn-ra já prova que é bem mais eficaz e terrível nessa versão tomando Thundera no primeiro episódio) e a recuperação das 4 pedras mágicas (o que também explica a obsessão de Munn-ra com a Espada Justiceira). Mas deixando esses detalhes de lado, o importante é que além dos episódios que constroem a história principal, os secundários sempre passam alguma lição sobre a vida para o desenvolvimento de Lion-O e seu amadurecimento (além de serem ótimas para as crianças), sobre vida e morte, sobre conhecer os outros além das aparências e coisas do tipo, sempre contadas de uma forma bonita e leve. É normal ouvir comentários de quem viu as duas versões como “por que o outro não era assim?”;

- Estética bem mais legal: bem, é o seguinte, como dito antes, o desenho era apropriado para a época. PARA A ÉPOCA, aqueles maiôs que todos os gatos usavam eram ótimos por serem fáceis de desenhar, num tempo que se usava ainda a rotoscópia (técnica que consistia em pintar as cenas quadro por quadro sobre imagens filmadas com atores reais), qualquer coisa que facilitasse o processo era válida, e o clima meio “roupa de ginástica” poderia servir aos anos 80, mas nunca iria pegar numa época com animação digital dominando o mercado e onde já se viu coisas como O Senhor dos Anéis. No Thundercats 2011, os gatos têm roupas bem mais chegadas para uma indumentária antiga, mantendo, claro, os elementos que identificam cada um (a mudança mais radical é em Tygra, que passa a usar um uniforme militar completo), transmitem a necessidade de equipamento e proteção e parecem cobrir melhor o corpo deles contra fatores como o frio, por exemplo (afinal, roupas servem para isso). Mas talvez, no caso da indumentária, o melhor não tenha sido o que se acrescentou, no desenho original, os gatos todos usavam botas, o que não parece nada demais, roupa de guerreiro, bota dá um ar de autoridade, ok, ok, mas… gatos são escaladores natos! E para escalar, nada melhor do que ter as garras das quatro patas livres! A turma do Panthro agora anda descalça e não é porque são pobres! As proporções físicas das personagens também reforçam o caráter individual e as habilidades de cada um. O tratamento dos cenários, tanto nas cidades como em áreas selvagens é maravilhoso e muito delicado, nada é deixado de lado, ao mesmo tempo sem que isso provoque exageros de elementos. É um deleite para os olhos.

Outra coisa para a respeito da qual se deve chamar atenção em Thundercats 2011 é ele, o veículo ficcional mais cobiçado de uma geração inteira! O transporte mais versátil do mundo da animação! O Thundertank já era impressionante nos anos 80 e conseguiu ficar ainda mais incrível com o uso da tecnologia de CGI, fizeram dele um tanque de verdade, com uma escala apropriada para carregar os Thundercats, armas de alta eficácia e efeitos sonoros arrepiantes! Além disso, cada Thundertank (sim, o desenho novo mostra que pelo menos em um momento houve vários Thundertanks) tem duas motocicletas atracadas a si para uso em reconhecimento, que, é claro, viraram brinquedo de corrida em um dos episódios.

Para quem se diverte vendo desenho animado, seja adulto ou menino, e se estiver querendo rever as personagens pelas quais tem afeto desde a primeira versão (nesse caso prepare-se para as mudanças de rumo da trama e nas relações entre eles!), ou quer ver um bom desenho de aventura com ação e momentos emocionantes, Thundercats 2011 é mais do que recomendado. E não vá sentir vergonha depois de ver o piloto e sentir vontade de sair gritando “Thundercats, HO!!”