Sobre o Buzz: o Google não vai mudar o mundo de novo. Por enquanto.

Roger Federer é o maior tenista de todos os tempos. Dono de uma técnica refinada, um verdadeiro representante do tênis clássico em meio a uma geração de jovens jogadores que baseiam-se puramente na força e explosão. Mr. Federer desfila pelas quadras com classe, elegância e brilhantismo. Um gentleman dentro e fora, poliglota, rico, bem-sucedido, agora pai de filhas gêmeas e bem acompanhado pela sua esposa. Se pudéssemos definir Federer em uma palavra, seria “Excelência”.

Ele acostumou-se a vencer. Os recordes foram tantos, que chegam a assustar quem entende do assunto. O problema é que essa sede por vitórias criou um monstro. Um devorador de títulos, que acostumou mal as pessoas a sua volta e a seus fãs. Federer perdeu? Que absurdo! A expectativa que ele colocou nas pessoas através dos seus resultados espantosos tomou proporções inimagináveis.

A referência a Federer é para criar um paralelo com o Google. A empresa é sinônimo de excelência e a maior referência do mundo em empresas de Tecnologia. Todos querem ser como o Google. Os usuários tem respeito pela empresa, pelos projetos que desenvolve e pelos avanços que trouxe ao mundo. Mas ultimamente o Google tem abusado desse respeito, lançando uma série de fiascos como o Google Wave e agora o Google Buzz. Muita expectativa foi criada em torno dessas ferramentas, muito buzz foi gerado (com trocadilho) e nada aconteceu. Mas peraí: toda essa expectativa foi criada pela empresa, ou por nós, que utilizamos o serviço e sempre apostamos que tudo o que o Google vai lançar será inovador e irá revolucionar o mundo?

A expectativa é dividida. Claro que a própria empresa irá vender sua idéia como inovadora, algo que pode quebrar paradigmas e mudar o mundo. Mas a maior responsabilidade é nossa. Nós é quem ficamos dando F5 no Gmail esperando que o link do Buzz apareça. Nós é quem tuitamos a respeito do assunto e debatemos sobre o serviço. Nós é quem geramos o buzz. O Google perdeu o fio da meada? A empresa deixou de ser inovadora, inventiva e criativa? Ou nós é que tratamos ela como um monstro, como o Federer da tecnologia?

O que eu sei é que é impossível ser inovador e revolucionário o tempo inteiro. Grandes mudanças afetam o mundo de maneira decisiva, mas pequenas mudanças que passam despercebidas por nós são responsáveis por grande parte da força que faz o mundo girar. O Google Wave não revolucionou a Internet. A Internet É a revolução. O Google Buzz também não vai mudar a forma como usamos a Web e aposto que o Google não tem essa intenção, pelo menos não agora Nós é quem criamos esse monstro e estamos alimentando-o diariamente.

É certo que o Google já patinou anteriormente, parece estar escorregando um pouco agora, mas bem, se até Federer perde de vez em quando, por que o Google não teria esse direito?

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