Manifesto por uma Internet livre

Você está em seu carro, cansado, indo para casa e para no sinal. Seu corpo vai escorregando pelo banco, suas costas doem, sua cabeça lateja e tudo o que você deseja é um bom banho quente e uma cama macia. Enquanto você divaga sobre isso, um rapaz esquálido com o rosto pintado com tinta guache acha que você está interessado em vê-lo fazer malabarismos com pinos de boliche. Ele sorri, e você não dá a mínima. Após finalizar o seu trabalho, o rapaz estende o chapéu até a sua janela, na esperança de que você seja bondoso o suficiente para despejar algumas moedas que andam esquecidas no console do carro. Você está cansado demais até pra esticar o braço, ainda mais por ter que pagar por um serviço que você não pediu.

John Preston é uma espécie de policial em um futuro facista onde todas as formas de sentimentos são ilegais. Ele deve garantir que nenhuma pessoa, nenhum ser humano SINTA qualquer coisa. Apenas dissidentes que estão fora do sistema podem sentir qualquer coisa e dão a vida para proteger obras de arte, pinturas, livros, discos, tudo o que representa os sentimentos do ser humano no seu estado mais puro.

O primeiro parágrafo representa a indústria do entretenimento, daqui há algum tempo. Ou os caras aprendem a tratar os consumidores de uma forma decente, ou o futuro deles está perdido. Num mundo onde qualquer um é produtor de conteúdo, já cansei de ver desconhecidos produzindo material de muito mais qualidade do que o que encontro em catálogos de gigantes da música ou do cinema, só pra citar dois casos. Fechar o Pirate Bay e o Mininova não só é uma atitude estúpida, como é um tiro no próprio pé. Isso não fará ninguém comprar mais DVDs, CDs ou Blu-Rays. Isso não mete medo no consumidor. Quem está desesperado pra vender é a indústria. A indústria é o malabarista no sinal de trânsito, fazendo o seu showzinho de graça em troca de algumas moedinhas. As pessoas, como donas das moedinhas, escolhem em que chapéus elas querem colocá-las.

O segundo parágrafo fala sobre o filme Equilibrium, de 2002, estrelado por Christian Bale.  Ilustra um futuro que dificilmente irá acontecer em nosso planeta. Mas tenho minhas dúvidas se o ser humano é inteligente o suficiente para impedir isso. Pois num mundo com quase 7 bilhões de pessoas, toneladas de cérebro parecem algodão na balança onde no outro prato encontram-se algumas moedinhas.

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