Como montar o seu currículo na área de TI

Imagine que você é um entrevistador. Você está sendo pressionado para recrutar um profissional e começa a buscar pessoas no mercado que preencham os requisitos técnicos da vaga em questão. O caminho natural é procurar em sites de currículos on-line que possuam anúncios de candidatos na área de Informática.

Ao filtrar os currículos, o recrutador se depara com uma cena desoladora: erros de português, experiências irrelevantes, informações inconsistentes e muito mais. Se formos comparar, é como se o ato de fazer o currículo fosse o mesmo que alguém incumbir você a filmar uma tórrida cena de sexo. Todos os recursos estão nas suas mãos, mas ao invés de filmar a Megan Fox com o Brad Pitt usando uma câmera digital Full-HD você prefere filmar a Zezé Macedo com o Grande Otelo na câmera VGA do seu Motorola.

Um currículo apresentável e objetivo é o primeiro passo para você ter alguma chance de PARTICIPAR DA SELEÇÃO. Imagine que se um entrevistador, seja ele um técnico da área ou de RH pega o seu currículo e não consegue ler as 5 primeiras linhas e já descarta, isso quer dizer que algo está muito errado. Suas chances de conseguir um emprego ou uma oportunidade melhor de vida estão sendo limadas e sumariamente descartadas antes mesmo de você se juntar ao bolo de candidatos. Se os que são chamados para uma entrevista são a massa do bolo, você é o resto da farinha que fica em cima da mesa.

O lado bom da coisa é que HÁ formas de evitar isso. E não estou falando em mentir, dizendo que sabe falar francês de trás pra frente ou configura os roteadores do Pentágono. Apenas transmitir as informações com clareza e coesão, experiências que sejam RELEVANTES a vaga/área a qual você se propoe a concorrer e quais são os seus objetivos profissionais. As empresas, principalmente os responsáveis pela seleção estão fartos de ler o #mimimi de que você é ótimo para trabalhar em equipes, de que você quer aprender com a empresa e está ansioso por uma oportunidade de agregar valor ao negócio.

O que as empresas querem saber é qual é a sua expertise, o seu nível de instrução e quais as suas experiências profissionais na área. Não precisa dizer que fez o ensino fundamental na Escola Mickey Mouse e fez um Workshop de 8h sobre “Como falar em público”. Quer fazer um currículo melhor e ter mais chances de participar de seleções no futuro? Algumas das instruções abaixo podem lhe ajudar:

1) Seja claro com a sua identificação. Basta colocar o nome completo, endereço e telefones para contato e e-mail. Número da identidade, CPF, etc. são desnecessários. Só forneça se o entrevistador solicitar. Dizer que tem habilitação A/B só vale pra quem concorre a vagas de motorista de ônibus ou Motoboy;

2) Tenha um e-mail profissional. Ao incluir o seu e-mail para contato, coloque de preferência um e-mail que o identifique facilmente no meio da multidão. Endereços como “gatinho23@hotmail.com”, “juniaojiujitsu@gmail.com” ou “kekapagodeira@email.com.br” não passam uma boa impressão. Dão uma sensação de desleixo para o recrutador;

3) Descreva objetivamente os seus objetivos profissionais. Lembram da esquete do Melhores do Mundo? Sem objetivo o jogo fica sem objetividade. Não se extenda demais nos seus objetivos, não enrole, não escreva discursos panfletários e exponha suas idéias com clareza e bom português. Trabalhar em equipe, agregar valor a empresa, tudo isso já é esperado de você, são requisitos básicos. Se a vaga é para jogador de futebol, não precisa dizer que sabe cobrar lateral e conhece as regras. Isso é o básico do básico. E isso foi uma metáfora;

4) Descreva com sabedoria suas experiências profissionais. E distribua as mesmas da mais recente para a mais antiga. Isso faz com que o entrevistador saiba qual foi a sua última experiência e principalmente se você está trabalhando atualmente. E somente experiências que sejam VÁLIDAS para a vaga ou área em questão. A experiência como atendente do McDonalds foi ótima pra fazer você nunca mais comer lá, mas para Analista de Suporte Pleno ou Técnico de HelpDesk ela só conta na hora do almoço. Descreva o cargo, o período de trabalho e as atividades desenvolvidas.

5) Faça um resumo de suas qualificações. Informe no currículo quais são os seus pontos fortes e as áreas e ferramentas onde sua skill é mais desenvolvida. Isso evita que o entrevistador após ler todo o seu currículo descubra que você sabe fazer sushi quando na verdade ele queria mesmo era um acarajé dos bons. E não precisa informar que é especialista em instalação de Windows 95 e expert em Lotus 1,2,3 ou que sabe montar e desmontar um 286 como ninguém;

6) Cursos e atividades extracurriculares são importantes. Mas se você aprendeu “Técnicas de eliminação do Mosquito da Dengue” num simpósio de 4h em 1993 esqueça, já existe o Google para isso. Cursos relevantes (com carga de pelo menos 20h) que sejam bem técnicos e direcionados a sua expertise valem a pena ser informados se de fato fizeram você aprender alguma coisa;

7) Cuidado com o embromation nos idiomas. Mesmo que a vaga não exija fluência em inglês, se você coloca que revisou a gramática americana no estágio de três meses que fez em Harvard mas as únicas palavras em inglês que sabe falar são Hot Dog, Internet, Mouse e Notebook, a chance de ser pego de calças curtas é bem grande. Se só sabe inglês técnico, informe isso. Não adianta dizer que “entende”, “escreve basicamente” e “lê intermediário”. Outra coisa desnecessária é colocar “Português fluente”. Isso só o Pasquale pode dizer.

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