Como foder o seu poder de escolha.

Quando eu era guri, 25 anos atrás, o videogame da moda era o Atari (ai de quem me chamar de velho). O bom daquela época era que os jogos eram meio que sem fim, mas ninguém se importava. O objetivo não era ganhar troféus ou ‘zerar’ mais jogos, era se divertir. Jogava-se pelo puro prazer de jogar e ferrar controles (quem jogou Decathlon que o diga).

Hoje, tomo meu caso como exemplo. Eu tenho um Nintendo Wii, tenho um PS3 recentemente adquirido e tenho um iPhone. Olhando rapidamente pro meu iPhone, tenho uns 50 jogos nele. No Nintendo Wii só o DVD do Wii Play tem mais de 10 jogos. No PS3 também já são mais de 10, todos obtivos via download da PSN Store.

O paralelo que eu quero traçar aqui é que na época do Atari, posteriormente Master System, Mega Drive, Sega CD, Super Nintendo, Playstation 1, Playstation 2 (essa foi a minha sequência), as opções eram poucas. Ou se tinha Atari ou se tinha Odissey, e os cartuchos não eram tantos. Normalmente se tinha 5 ou 6 em casa e ia-se pegando emprestado e trocando jogos com os amigos.

Hoje em dia, é difícil se divertir com um jogo. São trezentas mil opções. Eu tenho tantos jogos disponíveis, em tantas plataformas e formatos, que isso acaba ferrando meu poder de escolha. Ou seja, tenho tantas opções que acabo não escolhendo nada. Entro no Burnout, passo 5 minutos e saio pro Modern Warfare 2. Enquando o mapa carrega, passo pro Canabalt no iPhone. E no fim das contas, acabo não me apegando a nenhum jogo como me apegava ao Pac-Man e ao River Raid.

E é assim que tendo opções demais, acabo tendo opções de menos. :-(

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