Observem o gráfico abaixo. Se não entender, eu desenho (oh wait!):
É assim que o mercado funciona. É assim que a vida funciona. Não adianta espernear, choramingar ou gritar. Open source x Proprietário? Mac x Pc? Apple x Microsoft? O titio aqui vai dar uma dica que vale pra sua vida caso você trabalhe com TI (e serve pra qualquer outra área): não adianta você escrever Os Lusíadas do Linux se o seu cliente quer Microsoft na empresa dele. Não adianta você falar como o pinto do Bill Gates é lustroso se o cliente não tem dinheiro e exige uma solução opensource.
Faça um timesheet de quanto tempo você perde discutindo no twitter, forums, orkut ou mesas de bar sobre como o Linux é superior ao Windows ou sobre como é fácil subir um AD com protocolo NNF (next-next-finish) enquanto o Linux exige diversas parametrizações. Agora pegue essa quantidade de horas e calcule o que você ganharia caso as utilizasse estudando e tirando certificações?
Pois é. Podem continuar odiando-se uns aos outros, quanto menos concorrência melhor e o mercado de TI agradece. Quanto menos “rapazinho do computador” nele, melhor. Essa aula é grátis, a próxima será devidamente faturada.
Num dos últimos episódios da terceira temporada de The Big Bang Theory, Sheldon fala que precisa fazer backups e reinstalar os sistemas operacionais de seu Laptop, pois não há uma partição para instalação de Linux livre. Óbvio que isso deixou a turma do “Linux-É-Vida” ouriçada, afinal, Sheldon disse que usa Linux! Por outro lado, é de se esperar que um nerd do nível dele tenha no mínimo uma versão do Windows e uma do Linux instalada no Laptop.
Um detalhe que passa despercebido é que a Microsoft obviamente é uma parceira forte do seriado, pois há diversos casos de product placement na série já há bastante tempo. É meio lógico imaginar que seria interesse da empresa ser associada ao seriado mais geek de todos os tempos. Caso também da Dell, afinal os laptops de Leonard e Sheldon são XPS (topo de linha da empresa) e só Raj, o “estranho” no ninho (o retirante indiano pra ser mais exato) é que usa aqueles laptops com a maçã desenhada.
Mas o que deixou a turma agitada mesmo foi essa afirmação do sheldon no episódio:
Oras, Sheldon disse que o Windows não presta! Bem, meus amigos não é bem assim que a banda toca. Sheldon é um cara peculiar, sistemático e principalmente egoísta. Duvido muito que ele seria a favor da inclusão digital ou curtisse os ‘vidaloka’ do orkut. Quando ele diz “O meu novo laptop veio com Windows 7. Ele é muito mais amigável para os usuários. Eu não gosto disso.” isso é o OPOSTO de falar mal. A afirmação é clara e a idéia que fica na mente é “O Windows 7 é muito mais amigável para os usuários”.
É de se imaginar que ele fique indignado com isso, afinal, não seria o Sheldon se ele gostasse do que é mais fácil de ser usado e aprendido. Portanto, isso não foi um “chupa essa Microsoft”, foi mais um “Lambe aqui” pros demais.
Todo mundo sabe que o ano do Linux é sempre X+1, onde X é o ano em que estamos. Por mais que os adoradores do software livre insistam em dizer que em algum momento entre o surgimento da Matrix e o fim do mundo como conhecemos o Linux irá dominar o mercado de sistemas operacionais, por enquanto o que se vê é o baile que já estamos acostumados da Microsoft em cima da concorrência.
De acordo com o último estudo mensal da NetApplications, o Windows 7, que sequer foi lançado oficialmente já possui marketshare superior ao SO do pinguim. Em setembro, o novíssimo sistema operacional da Microsoft encerrou o mês com 1,52% do mercado, contra 1,15% de agosto e 0,89% de julho.
Para quem tem interesse em saber, o Windows possui um marketshare de 92,77% do mercado de sistemas operacionais, o que representa uma queda de 0,29% em relação ao mês anterior. Obviamente que não é nada que assuste ou faça a Microsoft ao menos bocejar. O MacOSX ficou com 5,12% desse bolo, e o Linux… com 0,95% (com incrível crescimento de 0,01% em relação ao mês anterior).
Na guerra dos browsers a Microsoft já perdeu alguns cabelos, quem antes possuía um mullet digno de Chuck Norris em seu auge no Texas Ranger agora está mais pra um Steve Jobs depois do transplante. No mês passado o Internet Explorer dominava 65,71% do mercado, seguido pelo Firefox com 23,75%. Safari, Chrome e Opera vem na rabeira dessa disputa com 4,24%, 3,17% e 2,19%, respectivamente.
Qual lição podemos tirar disso? Um espinho no pé de um gigante incomoda. Mas um gigante pisando no seu pé incomoda muito mais.
Essa guerra entre sistemas operacionais me cansa. Quem reclama do Windows não usa Linux, quem usa Linux reclama do Linux, o Google vai dominar o mundo com o Chrome OS, o melhor sistema é o MacOS mas são poucas as aplicações para Apple, blá blá blá, papo vai, papo vem whiskas sachê e tudo fica na mesma. Na prática pouca gente sabe quais são as verdadeiras qualidades e os reais defeitos dos sistemas operacionais, tampouco sabem em que eles se equivalem.
Isso era até agora, pois esse gráfico ilustra tudo o que você precisa saber sobre Sistemas Operacionais para decidir qual adotar:
Comprar software é caro. Muita gente pensa que para ter um computador em casa é só comprar o equipamento, ligar e correr pro abraço. Mas não é assim que a coisa funciona. Você não pode comprar um forno de microondas, ligá-lo vazio e esperar que saia uma pizza gigante de dentro dele, a não ser que você esteja em De Volta Para O Futuro 2.
A questão é que é caro desenvolver softwares de qualidade. É claro que existem diversas versões de softwares e sistemas gratuitos no mercado, mas estes raramente atendem de verdade a necessidade dos usuários, isso quando não deixam muito a desejar no suporte.
Com um marketshare de 90%, a Microsoft transformou o Windows numa espécie de coca-cola dos sistemas operacionais. É o sistema que todo mundo sabe e quer usar. Com a propagação massiva do Windows, a Microsoft sofreu e ainda sofre atualmente com uma enorme pirataria do seu SO, tendo dezenas de milhões de cópias pirateadas rodando em computadores do mundo todo.
Aqui no Brasil não é diferente, nós somos um dos piores mercados para a Microsoft. Pouquíssima gente, em se tratando de usuários domésticos legaliza os softwares que utiliza. Isso também vale para pequenas e até médias empresas. Ninguém tem a preocupação, o interesse ou a menor vontade de legalizar os sistemas que usa. É o jeitinho brasileiro em sua versão digital.
A Microsoft não fiscaliza residências, é humanamente impossível fazer esse tipo de controle. O que ela pode e faz é criar bloqueios para os sistemas pirata, impedindo que façam atualizações ou fazendo com que deixem de funcionar.
Uma das principais barreiras para a legalização do Windows é o preço. Licenças que variam de 300 a 800 reais não são, a bem dizer, uma coisa barata de se adquirir, ainda mais num país onde a maioria dos micros encontra-se na classe média e que não tem folga financeira pra comprar um sistema por R$800,00.
Mas pera aí, como assim? A verdade é que se você não pode ter algo por questões financeiras, você não compra. Uma família de classe média normalmente não compra um carro de luxo pois não conseguirá mantê-lo. O seguro é alto, a manutenção, o ipva, etc. também são caros, é por isso que todo mundo anda de carro popular. Não vejo pessoas de classe média roubando carros de luxo por aí, assaltando concessionárias.
Para esses, só resta uma saída: usar Linux (ou outro sistema open source). Para a maioria dos usuários domésticos, versões do Linux como Ubuntu, que são NNF (next-next-finish) para instalar e tiveram sua interface muito melhorada são uma boa alternativa, junto com os pacotes de aplicativos que já vem embarcados, como o Firefox, o BROffice entre outros.
Certo, e depois de toda essa ladainha, por que legalizar a minha cópia do Windows? Simples. A própria palavra diz. Porque assim você estará LEGALIZADO. Isso significa, DENTRO DA LEI. É impressionante como as pessoas tratam os crimes de forma diferenciada. Roubar um biscoito de R$1,00 num supermercado é errado, feio, vexame. Mas roubar um sistema de R$800,00 é ok, certo?
Se você quer usar o Windows, se você não suporta Linux ou outros SOs, se você gosta da Microsoft, seja lá qual for o motivo, se você quer ter uma cópia legalizada do Windows, pense nisso na hora que for adquirir um computador. Geralmente a licença OEM vendida aos fabricantes de PCs é bem mais em conta do que comprá-la avulsa. Você terá suporte, garantias e estará em dia com suas obrigações legais, além de gerar receita para o país com a arrecadação de impostos.
Obs.: esse não é um publieditorial. A Microsoft não nos pagou, nem nos contratou para falar bem do Windows, destruir o Linux (ele faz isso sozinho) ou coisa parecida. Mas se ela tiver interesse, estamos a disposição.
Segundo notícia do Engadget, a versão 9.04 do Ubuntu está disponível para download. Poré, no site oficial a versão disponível ainda é chamada de Release Candidate. A promessa dos desenvolvedores é de uma versão com boots mais rápidos, um melhor gerenciamento de energia, acesso imediato ao sistema após a hibernação e suporte para troca inteligente entre redes 3G e Wifi.
O ponto mais interessante do lançamento da versão 9.04 é que além da tradicional distro para desktops e servidores, haverá também uma versão específica (provavelmente castrada e otimizada) para netbooks.
Interessante notar que diante das estatísticas favoráveis a Microsoft, a comunidade do Software livre se movimente para propor alternativas gratuitas E com qualidade para a geração de netbooks que já está operando e principalmente para as que ainda estão vindo.
Como citamos aqui anteriormente, os Netbooks ainda encontram-se num patamar de preço que trás sérias dúvidas em relação ao seu custo benefício, pois a maioria custa o mesmo que um Notebook bem mais potente e poucos tendem a pagar o mesmo por menos, ganhando apenas na questão do peso.
Porém, o mercado de Netbooks em 2008 foi de 10 milhões de unidades e tende a mais do que dobrar em 2009. Alguns fatores contribuem para isso, entre eles a divulgação de que a HP pode vir a utilizar o Android (sistema operacional do Google) em alguns de seus Netbooks, em detrimento do Windows.
Como o Android possui kernel linux-based, isso já afetaria o preço final dos equipamentos. Outro ponto importante é que 90% dos Netbooks possuem chips Intel (e Windows), mas a empresa britânica ARM vai ser um novo “braço” (entenderam a piada?) na batalha para diversificar o mercado e baixar ainda mais os preços.
Os processadores da ARM são equivalentes ao Intel ATOM em termos de potência, porém consumindo menos energia, o que faz com que as baterias durem mais (o que é ótimo). Tudo isso custando uma fração do preço dos processadores da Intel, o que poderia trazer segundo as pesquisas os preços dos Netbooks para a casa dos 50 a 100 dólares.
Qual é o impacto disso tudo? Você em breve (aqui no Brasil não sei, mas lá fora com certeza) vai ter associado ao seu serviço de telefonia/banda larga um Netbook que virá gratuitamente dependendo do plano contratado.
Essa é a opinião de ninguém menos que Silvio Meira, que pode ser lida em seu blog nesse link aqui.
Muita gente criou uma antipatia ao sistema operacional open source mais famoso do mercado por puro disse me disse. 99% das pessoas que evitam utilizar o SO o fazem por ter ouvido de algum amigo que é chato, que não tem drivers compatíveis, que é difícil de usar, que tem que saber linhas de comandos, etc.
Tudo isso é bem verdade, porém o que mais chateia quem evita trabalhar com Linux é ter que particionar um disco, usar dual boot, ficar com arquivos inacessíveis no Windows, etc.
Como diz o ditado, toda unanimidade é burra. E pensando nisso, foi criado o Wubi. Um instalador facílimo que faz todo o trabalho para o usuário e evita maiores transtornos na hora de instalar o Linux. Com o Wubi, você executa um simples instalador, que faz o download do ISO do Ubuntu automaticamente caso você não o possua, executa toda a instalação, configura o Dual Boot automaticamente, não pede para criar uma partição exclusiva e muito menos formatação de disco. Ainda por cima pode ser desinstalado pelo painel de controle do Windows. Uma mão na roda, não é mesmo?
É óbvio que os usuários não irão começar a utilizar mais Linux por causa disso, muito menos isso vai tornar o Linux padrão de mercado. Porém, com essa facilidade, poucos terão a desculpa de dizer que não utilizam o linux ou não ao menos o testam porque é difícil e complicado de instalar/usar.
O site do Wubi é esse aqui. E esse é o link direto pro download do instalador mais recente.
Essa notícia, complementada por essa outra aqui divulgadas no Meio Bit, falam de um projeto do Governo que irá implementar quase 400 mil estações de trabalho nas escolas através de virtualização e usando clients ThinNet para isso. Com esse modelo, a economia em licenças de software e em hardware/energia/implantação é astronômica.
Porém, por já ter participado de projetos de grande porte na área de infraestrutura, questiono a eficiência do projeto antes mesmo dele acontecer. Em primeiro lugar, o volume espantoso de clients instalados ao final do projeto já assusta logo de cara. Em segundo lugar, temos o problema da logística para a distribuição de todo esse material (há lugares onde existem escolas em que só é possível chegar de barco e em determinadas épocas só de avião, por conta das chuvas. Outro ponto importante é a implantação. Serão necessários centenas ou talvez milhares de técnicos para executar a implantação com a eficiência desejada. E técnicos eficientes em determinados lugares simplesmente não existem.
O problema mais grave de todos é o da infraestrutura nas escolas. A precariedade é tamanha que não será surpresa alguma se a maioria delas não conseguir receber os equipamentos por não atender os requisitos mínimos para a instalação. A maior parte das escolas não possui sequer uma tomada tripolar para ligar um mero estabilizador. E mesmo as que possuem, trabalham com fiação tão precária que a probabilidade de queimar o equipamento poucas horas após a instalação é de quase 100%.
O Governo precisa entender, que um projeto dessa magnetide precisa primeiro de enorme planejamento, que tenho sérias dúvidas se será mesmo feito. O investimento inicial deve ser na estrutura predial das escolas, com condições mínimas de higiene, eletricidade, etc. Muitas escolas que irão receber recursos enviados por esse projeto sequer tem quadro negro ou mesmo carteira para os alunos se sentarem.
De que adianta chegar um monte de computadores se nem ao menos mesa para organizá-los as escolas tem? Os pontos chave para o sucesso desse projeto são:
1) Infraestrutura: o Governo deve antes de tudo fazer um levantamento de todas as escolas que irão receber equipamentos desse projeto, analisando as condições do prédio, eletricidade (aterramento, tomadas, qualidade da energia que chega) e telefonia (sim, há milhares de escolas onde não há eletricidade e muito menos acesso a telefones). Fazendo esse levantamento, verbas devem ser disponibilizadas para primeiro CORRIGIR os déficits estruturais que serão enormes para poder realizar-se uma implantação como essa;
2) Logística: todo o planejamento de recebimento, configuração, envio e instalação dos equipamentos deve ser muito bem realizado. Em projetos como esse, principalmente em que são pedidos lotes enormes de equipamentos, o prazo de entrga geralmente é dilatado e o Governo irá depender de muitos fornecedores, e o grande segredo é “casar” a entrega dos equipamentos com todos eles. Cada fornecedor tem o seu próprio prazo de entrega e conciliar tudo isso será uma tarefa árdua.
3) Implantação: em cidades muito afastadas, encontrar um técnico para realizar a implantação vai ser tarefa para McGyver. Se não houver concurso público para contratação de técnicos de implantação, o risco de desvio de verbas, corrupção, superfaturamento e tudo o mais é altíssimo. Se houver uma base de técnicos em determinados locais, que viajarão para realizar as atividades, o tempo do projeto será muito mais dilatado e o custo absurdamente maior (transporte, hospedagem, alimentação). Os técnicos deverão ser muito bem treinados para executar a instalação dos equipamentos com velocidade e qualidade (normalmente só se consegue ou um ou outro).
4) Suporte: alguém imagina que irão existir dezenas de dúvidas na utilização dos equipamentos mesmo por parte dos gestores/professores, piorou dos alunos? Quem vai dar treinamento a essas pessoas? Ou o Governo acha que essa população semi-analfabeta irá saber manipular equipamentos e Linux? Por mais educacional que seja a versão do Linux, o bicho vai pegar na hora de usar. É preciso um forte treinamento nas escolas, bem como um Service Desk GIGANTESCO para receber milhares de ligações diárias quando o parque estiver todo implementado. E o acesso remoto? Receitas de bolo não irão servir para orientar uma população inapta digitalmente. É fundamental acesso remoto para dar suporte quando necessário, o que nos faz cair na questão da infraestrutura. Vocês sabiam que centenas de escolas que irão receber os equipamentos não dispoem sequer de uma linha telefônica? Já imaginaram o tamanho da bronca? E o anti-vírus? E o firewall?
5) Manutenção: os mesmos técnicos que irão fazer a implantação irão fazer também a manutenção? Onde ficará o depósito de spares? É normal um percentual de equipamentos já vindo com defeito de fábrica, e outros quebrando logo após a instalação. Se levarmos em conta que das 356.800 estações vituais, tivermos um equipamento para cada quatro estações virtuais, teremos um parque de quase 100.000 equipamentos instalados. Considerando uma margem de meio por cento (0,5%) de equipamentos com defeito, teremos 500 estações quebradas já vindas de fábrica. Dadas as condições de infraestrutura citadas antes, podemos esperar em seguida mais 15 ou 20% de equipamentos com defeito. E um equipamento com defeito significa 4 usuários a menos. Ou seja, serão quase 100 mil pessoas com seus desejos frustrados logo no início do projeto.
Portanto, chegou a hora do Governo parar de brincar e fazer algo realmente sério pelas nossas escolas e estudantes. A iniciativa é louvável, mas se as variáveis acima não forem levadas SERIAMENTE em consideração, o fracasso será total, teremos mais centenas de milhões de reais jogados fora e mais alguns anos de atraso pela frente.
Vamos aguardar e observar.
Como diria Cid Moreira… Estamos de oooooooooooolho!