Avatar: uma crítica tardia e (des)necessária.

Demorei muito para assistir Avatar. Não tive tempo nem coragem pra assistir ao filme no momento do hype. Pena, perdi a oportunidade de vê-lo na tal sala 3D. Dizem que o espetáculo é sublime. Imagino que deva ser, considerando que mesmo assistindo da maneira tradicional o filme é uma show de cores e luzes que beira a psicodelia.

O enredo é um velho conhecido de todos. Uma raça superior tenta subjugar uma raça inferior querendo tomar-lhe todos os recursos. A ganância humana e o seu poder de destruição são a tônica do filme. O personagem principal, Jake Sully, é um homem sem esperanças e em busca de encontrar um propósito pra sua vida. Lembra muito o John Dunbar, de Dança com Lobos. Ele deve reconhecer e monitorar o inimigo mas acaba entendendo que o propósito da guerra é errado e ‘muda de time’.

Outros aspectos de Avatar são facilmente identificáveis em comparação a Matrix. Um “escolhido”, a abstração de ter que “se conectar” a outro mundo, o escolhido tem uma vida muito melhor no “outro mundo” do que em seu mundo real… Mas não é isso que faz de Avatar um bom filme. E também não acho que Avatar revolucionou o cinema de maneira significativa.

É certo que os efeitos especiais são inimagináveis, softwares foram criados especificamente para desenvolver o filme, etc. e tal. Mas convenhamos, foram sei lá, US$500 milhões de orçamento. E tinha o James Cameron dirigindo, era no mínimo de se esperar que o trabalho resultasse em um grande filme, que não pode ser reduzido a uma versão azul de Pocahontas.

No meu entender o filme é uma ótima opção como entretenimento. A forma como o enredo é desenvolvido atinge em cheio o espectador, fazendo com que a gente se familiarize, entenda os costumes e se solidarize com os Na’Vi. Se o filme tivesse mais meia hora a gente sairia da sala do cinema querendo ser um deles (e de certo muitos alienados acabaram fazendo isso mesmo). Mas está longe de ser um filme “inesquecível”.

Avatar é aquele filme que diverte, prende quem o assiste e passa rápido, nem de longe parece ter 2h e 35 minutos de duração. É um filme pra passar vez ou outra na Tela Quente num futuro próximo. É o filme mais lucrativo da história. Mas na minha modesta opinião, não é nem de longe o tal divisor de águas na história do cinema, apenas na história dos softwares utilizados para fazer os efeitos especiais. Imagine o que George Lucas não faria na década de 1970 com Star Wars, caso tivesse tudo isso nas mãos.

Veja também

<>

Comentários

Topo