Ah, o Twitter…

É impressionante a capacidade que o Twitter tem de entrar em pauta. E mais impressionante ainda é a capacidade das pessoas de distorcer a percepção das coisas. Por sua característica principal, o dinamismo, o Twitter provoca uma série de mal-entendidos, comentários atropelados, notícias duvidosas e ascenção meteórica e queda armagedônica de pessoas. O termo mais usado no momento é sub-celebridade. Se o conceito de celebridade já é por si só difícil de definir, imagine o sub.

Diversos textos espalhados pela Web começam dizendo que o Twitter não tem regras e por isso mesmo é uma ferramenta tão boa. Eu discordo totalmente. Acho que o Twitter é na verdade um emaranhado de regras, porém não necessariamente marcadas em pedra. É como a linha do equador. A gente sabe que ela existe, sabe mais ou menos onde fica e que divide o planeta nos hemisférios norte e sul. Porém, ninguém pegou um balde de tinta, um pincel e saiu demarcando-a no chão. É uma questão de convenção, assim como a maioria das regras do Twitter e mesmo muitas das regras de convivência em sociedade.

Creio que as redes sociais são muito parecidas com a sociedade fora do contexto homem-computador. Pelos debates, pelos barracos, relacionamentos, causas e consequências, a interação em sociedade on-line pouco difere do contato social no plano offline. Mas e o que o Twitter tem a ver com isso?

Bem, recentemente entrei numa discussão questionando um post que tratava de forma preconceituosa os ‘Probloggers’, os chamados blogueiros profissionais. O artigo era direcionado a atacar especificamente um blogueiro, mas a forma preconceituosa que o autor usou para denegrir a imagem do blogueiro em questão atingiu em cheio não só ele, mas qualquer um que blogue procurando ganhar a vida com isso. O argumento que o autor usa dizendo que ‘apoia qualquer forma honesta de ganhar dinheiro’ no início do texto em nada diminui a forma preconceituosa e difamatória com que o autor estereotipou não só um, mas todo e qualquer problogger. Foi aí que cometi um erro clássico, ao entrar na discussão com o autor do texto: me rebaixei ao seu nível e questionei suas qualidades como cidadão brasileiro, como profissional e o que ele faz ou deixa de fazer de sua vida. Isso é problema dele, não meu. Da mesma forma que como o blogueiro atacado por ele faz o que bem entender de sua vida, por isso me desculpei por ESSE argumento e retirei o que eu disse nesse aspecto.

Diante do contexto da discussão, surgiram defensores para ambas as partes. E aí é que a rede social se mostra idêntica a sociedade formal. Ganhei diversos seguidores que deram follow no meu perfil puramente pra acompanhar o ‘barraco’. O povo gosta mesmo é disso, o povo quer ver sangue. Alguns nem me seguiam e começaram a me seguir só pra defender a pessoa com a qual eu discutia. Isso é o que me impressiona negativamente. O sujeito se dá ao trabalho de entrar no sistema, ler o histórico e me seguir pra defender alguém que ele não faz idéia de quem é.

Outros me disseram pra parar de discutir, que isso não leva a lugar nenhum. Também discordo plenamente disso, levando-se em conta que se não houvesse discussões e debates, incluindo aí divergência de opiniões, todos acharíamos que a terra é quadrada e provavelmente não haveria guerras no mundo. A discussão faz parte e é um dos pilares do desenvolvimento social. O problema é que as pessoas confudem discussão e divergência de opiniões com briga, confusão, inveja, ratinho, etc. Gente, é possível discordar, divergir, ter uma opinião diferente sem transformar isso numa guerra santa.

O que mais me impressionou na verdade foi ter que ler ‘pare de discutir, não me faça perder meu tempo’ de um seguidor. Me impressiona, pois com um único clique ele poderia parar de me seguir e não ter seu precioso tempo gasto com uma discussão sem sentido. Sendo assim, prontamente sugeri que ele desse unfollow se não estivesse satisfeito com o que lia no meu Twitter. Espalhou-se então que eu fui grosso e destratei o seguidor. De forma alguma fiz isso. É aí que entram as regras do Twitter e do que ele trata. Se você não for usuário de scripts, você passa a seguir alguém pois acredita que aquele perfil poderá lhe agregar alguma coisa. Seja para lhe proporcionar risadas, conteúdo ou mesmo uma amizade. Ao perceber que não conseguiu nada disso, você pode simplesmente parar de seguir a pessoa e pronto, bola pra frente. Na vida real não é assim? Não é isso que fazemos com pessoas que cruzam a nossa vida, com colegas de trabalho, ex-colegas de escola? As pessoas vem e vão na nossa vida com muita facilidade, por que essa mesma facilidade não haveria de existir no Twitter?

A moral da história é que o Twitter aparentemente não tem regras justamente por cada um fazer a sua própria regra. Somos todos palhaços num enorme circo e dentro desse circão temos pequenos picadeiros, onde cada um toma conta do seu e define como será o espetáculo. E como se define um sistema onde não há regras hierarquicamente impostas e cada um faz o que bem entende? Me parece muito com um regime de Anarquia. Porém, o Twitter felizmente não é anarquia pura.

Finalizando: para quem acha que o Twitter não tem regras, mude de idéia pois sim, elas existem. Se você não está satisfeito com alguém que você segue, dê unfollow. Se alguém lhe prejudica, denigre sua imagem, lhe faz mal de alguma forma, bloqueie. Se alguém lhe manda Spam, denuncie. E lembre-se que a sua liberdade acaba onde começa a liberdade do outro. Não há espaço para Casa da Mãe Joana dentro do Twitter. Ao menos não dentro do MEU Twitter.

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