A hashtag que twitta é a mesma que escarra

Ashton Kutcher é um cara inteligente. Muitos tem uma idéia de que ele nada mais é do que um meninão rico, que tem tempo livre o suficiente pra fazer o que todo mundo queria fazer, e nesse meio tempo ainda conseguiu pegar a Demi Moore. Bem, se isso não faz dele um cara inteligente, precisamos rever os nossos conceitos.

Desde os tempos de That 70´s show, quando fazia Michael, um personagem pra lá de bobalhão, esse conceito sobre Ashton existe aqui no Brasil. Não mudou muita coisa com o seu sucesso em hollywood, pois a maioria dos filmes estrelados por ele são aquelas comédias românticas água com açúcar que passam na sessão da tarde.

A diferença é que nos EUA, ser ator é de fato uma profissão. Eles levam isso muito a sério e são muito bem assessorados por lá. Não é incomum ver managers de grandes estrelas também acabarem tornando-se milionários. Aqui no Brasil, a história é bem diferente e as principais estrelas da TV e do cinema nacional estão longe de serem considerados mecenas.

Alguns meses atrás, Ashton engajou-se numa campanha para ser o primeiro perfil do Twitter seguido por 1 milhão de pessoas. E sem usar script. Na época, o seu perfil no twitter e o da cnn estavam lutando cabeça a cabeça para chegar primeiro a essa marca. Ele colocou outdoors nas ruas, foi em talkshows de alcance nacional e prometeu fazer a doação de 10000 mosquiteiros para ajudar a combater a malária para o World Malarya Day. Em caso de derrota, ele doaria 1000. A CNN concordou em fazer o mesmo.

Essa semana, a twittosfera brasileira entrou em polvorosa quando Ashton começou a twittar mensagens comemorando a vitória parcial do time de futebol dos EUA sobre o Brasil (O primeiro tempo terminou 2×0 para os americanos). A medida em que o time brasileiro foi gradativamente encostando, empatando e virando o jogo, fez com que uma enxurrada de mensagens chegassem até o astro americano, que reagiu com muito bom humor. Entre respostas divertidas até o reconhecimento de que o Brasil mereceu ganhar, ele interagiu com diversos seguidores brasileiros e deu uma lição de como usar redes sociais para promover sua imagem. Ao invés de simplesmente ignorar, ele entrou na onda e até falou ‘chupa’, uma campanha iniciada pelo perfil fake do bem @christianpior, que refere-se ao personagem Christian Pior, do Pânico na TV. Esse perfil é um dos mais influentes do twitter no Brasil, possuindo quase 50 mil seguidores.

A campanha para colocar a hashtag #chupa nos trending topics foi uma iniciativa bem humorada e deve ser encarada como tal. Rapidamente milhares aderiram a campanha, e alguns perfis importantes do Twitter nacional como Rosana Hermann, Carlos Cardoso e outros espalharam a idéia. Não levou meia hora pra que a tag chupa aparecesse no topo dos trending topics do twitter. Ashton gostou ainda mais da brincadeira questionando inclusive qual seria o significado do termo chupa, que muitos explicaram tratar-se de algo similar ao ‘suck it’ americano, não no sentido de chupar, mas no sentido de ‘tome isso’.

Pelo dinamismo do Twitter, é difícil alguém tomar posse da criação de qualquer campanha como essa. Com certeza alguém já tinha twittado a palavra chupa antes, talvez até com o mesmo contexto. Mas ficou claro que o @christianpior tomou a iniciativa de mobilizar muita gente para que finalmente o Brasil emplacasse um termo nos trending topics. A campanha foi um sucesso e fez até com que Ashton usasse o Google Translator para dizer que os EUA farão um bom papel na próxima copa do mundo, traduzindo o suck it como chupa-lo.

Algumas celebridades nacionais cairam de paraquedas no Twitter, e pelo visto a coisa começou a desandar. Um grupo liderado por Júnior Lima, Bruno Gagliasso, Marcos Mion e outros criou um Twitter chamado de Os Piratas e tomou posse da idéia do termo chupa nos trending topics. Mas não foram eles que tiveram a idéia, porém eles tem a mídia em suas mãos. Eles também acabaram querendo para si a autoria da campanha #forasarney, essa ainda anterior a do chupa.

Quando vi essa manipulação da verdade por parte das pseudo-celebridades brasileiras, rapidamente tracei um paralelo e fiz uma comparação com o Ashton. Isso me fez lembrar o texto do Cardoso que diz que ‘A morte do dinossauro não torna o rato relevante‘. Os artistas envolvidos em roubar o chupa são os ratos da história. Rodrigo Scarpa, o reporter vesgo ainda tentou forçar a barra para que o Ashton ajudasse a campanha do #forasarney mendigando atenção e pedindo que Ashton twitasse algo a respeito. E ele twittou. Disse que não é brasileiro, que nõs é que temos que buscar melhorias para nosso país e política e que ele não vota no Brasil. Isso é o que eu chamo de nocaute técnico. Ele deu com uma única twittada várias lições, pois não se envolveu em questões políticas as quais não entende totalmente, não falou algo que poderia trazer algum dano a sua imagem e ainda mostrou que o twitter dele não é casa da mãe joana. Só porque ele tem 2,5 milhões de seguidores agora qualquer desconhecido (vocês acham que ele faz idéia de quem é o Rodrigo Scarpa?) pode chegar lá e pedir uma twittada? O @christianpior conseguiu isso por puro timing, fez na hora em que o jogo estava rolando. Depois que a onda passou, não dá pra pegar jacaré, no máximo levar um caldo.

Essa atitude das ‘celebridades’ brasileiras me faz lembrar do episódio em que filhos da high society carioca filmaram o momento em que jogavam ovos nos passantes. É mais ou menos como uma versão twitter da música nós vamos invadir sua praia. Se eles não podem dominar o pedaço, vamos bagunçar o coreto.

Esse vídeo resume todo o acontecido cronologicamente. Para finalizar a história, recomendo aos artistas brasileiros que aprendam um pouco a como se portar em redes sociais com o Ashton, que só tem 31 anos mas pelo visto tem um monte de coisas a ensinar as celebs do lado de cá.

PS.: no fundo, os Piratas são massa de manobra dos verdadeiros twitteiros relevantes.

PS.2: Para quem não sabe o que significa Aplusk, basta ir nesse link aqui.

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